Estou retomando a coluna sobre História de Carira com novo título: “História e Cidadania”.
Gostaria de começar falando sobre os professores mais antigos que ministravam a disciplina, que diziam que a História é a ciência que estuda o passado para melhor entender o presente. Nunca gostei muito dessa definição, não pelo conteúdo, mas por querer dar um sentido de ciência exata a uma disciplina do campo das Humanidades. Sempre preferi no primeiro dia de aula de minhas turmas do fundamental, montar com os discentes o conceito de história a partir da concepção deles sobre o que seria esse campo do conhecimento. Depois de montar nossa acepção de história, passávamos a uma indagação fundamental, que acaba sendo um tabu para os professores menos preparados: “para que serve estudar história?”. Também a esse questionamento eu não apresentava uma resposta pronta, mas ajudava a montá-la a partir do que os alunos diziam. Para ajudar, sempre gostei de usar uma frase do meu amigo Severo D’Acelino: “aqueles que não conhecem a história, estão condenados a cometer os mesmos erros do passado”.
Iniciar uma aula com os estudantes ajudando a criar conceitos que norteariam os ensinamentos que eles receberiam, tornando-os indivíduos atuantes no processo ensino-aprendizagem sempre causou uma estranheza aos jovens amigos. Infelizmente, estavam condicionados a sempre receber o conhecimento pronto, nunca atuando no processo. Por muito tempo estiveram envenenados com o ópio a educação: ler, decorar, esperar cair na avaliação, acertar/errar, obter nota e depois esquecer para sempre.
Sempre insisti, a partir do que eles diziam juntamente com a frase de Severo, que a história é um veículo para a cidadania. Nós nos sentimos mais motivados a agir como cidadãos, reivindicando nossos direitos, quando sabemos das restrições à democracia no passado. Por exemplo: quando estudamos sobre o sangue derramado nas inúmeras revoluções da América Latina, a Ditadura Militar no Brasil, e porque não dizer, na Intervenção Militar em Carira, com o tenente José Rosa de Araújo, sabemos o quanto é importante atuar como cidadão. Conhecendo um pouco da nossa história, nos encorajamos a opinar, questionar, investigar, cobrar, acionar órgãos do Judiciário, ajudar a tomar decisões, procurar saber o que faz o Poder Legislativo, consultar sites do Governo Federal sobre verbas e convênios...
Na minha opinião, esse não é o único sentido da história, mas um deles. Por mais utópico que seja, falaremos de história e cidadania, da historia como conscientização de si mesmo enquanto indivíduo atuante, para quem sabe assim, darmos um passo a mais na evolução social de nosso município, porque, se isso não for feito por cidadãos conscientes, não será feito por mais ninguém.
João Hélio de Almeida, Historiador e Cientista das Religiões.